O objetivo principal deste estudo foi realizar uma revisão sistemática e meta-análise para atualizar as evidências sobre os efeitos da terapia hormonal cruzada (CSHT) na densidade mineral óssea (DMO) em homens e mulheres transgênero.
Fontes de Dados: Foram pesquisadas as bases de dados Medline, Cochrane Central Register of Controlled Trials e Embase para estudos publicados até agosto de 2018.
Seleção dos Estudos: De 10.849 estudos encontrados, 19 foram selecionados para revisão sistemática. Os estudos incluídos tinham pacientes com idade acima de 16 anos que receberam CSHT e tiveram a DMO avaliada por absorciometria por dupla emissão de raios-X (DXA).
Extração de Dados: Foram coletados dados sobre DMO, CSHT e fatores clínicos que afetam a massa óssea. A qualidade dos estudos foi avaliada usando uma escala do National Institutes of Health.
Homens Transgênero: A diferença média na DMO em comparação com mulheres cisgênero não foi significativa em nenhum local, tanto em estudos transversais quanto em estudos antes-depois.
Mulheres Transgênero: A diferença média na DMO não foi significativa em comparação com homens cisgênero no colo do fêmur, fêmur total e coluna lombar em estudos transversais. Estudos antes-depois relataram um leve, mas significativo, aumento na DMO da coluna lombar após 12 meses e 24 meses de tratamento.
Homens Transgênero: A CSHT a longo prazo teve um efeito neutro na DMO. Mulheres Transgênero: Apenas a DMO da coluna lombar pareceu ser afetada pela CSHT.
Ampla Pesquisa de Dados: A inclusão de múltiplas bases de dados aumenta a abrangência da revisão.
Meta-Análise: A utilização de meta-análise fornece uma visão quantitativa dos efeitos da CSHT sobre a DMO.
Qualidade dos Estudos: A evidência foi de baixa a moderada qualidade devido ao desenho observacional dos estudos, tamanhos de amostra pequenos e variações nos protocolos de terapia hormonal.
Heterogeneidade: Variabilidade nos protocolos de CSHT e nas características dos participantes dos estudos pode ter influenciado os resultados.
Dados Limitados: A maioria dos estudos disponíveis tinham tamanhos de amostra pequenos, o que limita a generalização dos resultados.
Monitoramento da DMO: Para homens transgênero, a CSHT parece não alterar significativamente a DMO, o que é tranquilizador. Para mulheres transgênero, um leve aumento na DMO da coluna lombar sugere a necessidade de monitoramento contínuo, mas não indica grandes preocupações.
Protocolo de Tratamento: A variabilidade nos protocolos de tratamento destaca a necessidade de padronização para melhor avaliação e comparação dos efeitos da CSHT.
Estudos de Alta Qualidade: Há necessidade de estudos longitudinais com maior número de participantes para confirmar os achados e melhorar a qualidade da evidência.
Padronização dos Protocolos: Desenvolver e seguir protocolos padronizados de CSHT ajudaria a reduzir a heterogeneidade e a fornecer resultados mais consistentes.
Avaliação de Longo Prazo: Estudos que acompanhem pacientes por períodos mais longos são necessários para avaliar os efeitos a longo prazo da CSHT na DMO.
Este estudo fornece uma visão inicial sobre os efeitos da CSHT na DMO em pessoas transgênero, destacando a necessidade de mais pesquisas para confirmar esses achados e melhorar a qualidade das evidências disponíveis. A CSHT parece ser relativamente segura em termos de impacto na DMO, mas o monitoramento contínuo é recomendado, especialmente em mulheres transgênero.
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