Ensinando a Acolher, Entender e Cuidar

Artigo Comentado: "Uso de Bloqueadores em Pacientes Transgênero"

Dra. Carla Tavares Gallicchio - Diretora do Departamento de Endocrinologia Pediátrica

De acordo com o artigo publicado pela Endocrine Society na Endocrine News em 2013 (1), cada vez mais, pediatras e psicólogos enfrentam casos, em que as crianças querem ser do gênero oposto. O pediatra poderá ser o primeiro profissional a ser procurado para conversar sobre a sexualidade e eventualmente sobre as variações de gênero das crianças e adolescentes, e deve estar capacitado para tal (2).

A congruência do gênero deve ser avaliada com especialistas que assegurarão o seguimento adequado desses indivíduos e suas famílias, sobretudo enfatizando a necessidade de ouvi-los de modo individualizado. No início da puberdade (em torno dos 8 a 14 anos), algumas crianças rejeitam seu gênero biológico. Uma solução recomendada pelos endocrinologistas pediátricos (que são os únicos especialistas que atendem crianças e adolescentes que necessitam de medicamentos bloqueadores da puberdade), são medicamentos que atrasam o início da puberdade e dão tempo às crianças para resolver sua identidade de gênero.

As medicações mais utilizadas são os agonistas de GNRH, quem tem o intuito de promover a regressão doa caracteres sexuais secundários. No Brasil, atualmente dispomos das apresentações para tratamento da puberdade precoce central (3) de uso mensal e intramuscular (acetato de leuprorrelina de 3,75 mg e 7,5 mg) e semestral de uso subcutâneo (embonato de triptorrelina 22,5 mg ou acetato de leuprorrelina na dose de 45 mg). O seu uso têm um bom histórico, com 30 anos de dados de acompanhamento mostrando que são seguros e eficazes. Para pacientes transgêneros, o veredicto ainda está em aberto e bloquear a puberdade também leva a questões éticas. À medida que os pacientes transgêneros entram na idade adulta, os dados começam a surgir quanto aos benefícios e riscos do bloqueio da puberdade nesses jovens.

De acordo com Norman Spack (1), endocrinologista pediátrico do Hospital Infantil de Boston, cuja prática se concentra principalmente em jovens transexuais: “A maior lição é que as crianças têm uma forte noção de seu próprio gênero e não se pode mudá-la. Eles precisam de tempo para tomar decisões informadas e a chance de viver a vida que desejam viver”.

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